quinta-feira, 27 de junho de 2013

Situação de Aprendizagem de Leitura - 9º ano do Ensino Fundamental
DOCENTE; PAULO ROBERTO ZANUTTO DE CARVALHO
Texto: "Meu primeiro beijo",
 

   a) Levantamento de hipóteses a partir do título:
• Qual o assunto do texto?
• Você já foi beijado? Quando? Por quem?
• Se sim, como foi a experiência? Quais sentimentos invadiram você?
• O que se espera do primeiro beijo?
• O que pensam sobre o texto que tem como título “Meu Primeiro Beijo”?
• Quem é o autor do texto?
• Pesquisa sobre a biografia do autor do texto.
• Já leram algum outro texto dele? Se sim, qual?
. Veículo em que é divulgado
. intenções do autor e público alvo

    EXPECTATIVAS DE LEITURA (apresentação do livro)
. Esse texto faz parte do livro “Balada do Primeiro Amor”. Nele temos outras histórias.
. O que vocês entendem pela palavra “balada”?
. Onde vocês imaginam que aconteceu?
. Qual será o assunto tratado?
. Quais serão os possíveis Personagens?

   CHECAGEM DE HIPÓTESES (durante a leitura)
Neste momento, o professor ao realizar a leitura por parágrafos, por exemplo, poderá levar o aluno a inferir sobre “pistas”:
. Quem está narrando o texto? É homem ou mulher? Faz parte dos fatos narrados? (forma de fazer com que o aluno reflita e localize informações implícitas e explícitas no texto)
. Os fatos são narrados para qual leitor?
   LOCALIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES
(Neste momento da leitura, faz-se importante que o aluno destaque elementos que compõem a narrativa: progressão temporal dos fatos, foco narrativo, espaço e discurso).

   PRODUÇÃO DE INFERÊNCIAS:
. Partindo do contexto, o aluno irá deduzir o sentido das palavras desconhecidas, tal como “ perdigotos”.
. Relacionar expressões sinônimas ( apelidos)
. entender o processo de antecipação das informações (E foi assim...)
   GENERALIZAÇÕES
. Promover a dramatização do texto por meio de relatos individuais, buscando a socialização de situações semelhantes em seu contexto de vida.

   COMPARAÇÃO DE INFORMAÇÕES
. Promover a comparação de bilhetes utilizados pelos personagens do texto com os produzidos pelos alunos em seu cotidiano. (torpedo, face etc)
   INTERTEXTUALIDADE E INTERDISCURSIVIDADE
Estabelecimento de relações entre o que os alunos lêem e o que conhecem.

1. Ex. “Meu primeiro amor” – filme, textos “O príncipe desecantado” de Flávio de Souza e “Á espera do amor” de Inácio Loyola Brandão, música Primeiro Beijo
Situação de Aprendizagem "Pausa":


DOCENTE: PAULO ROBERTO ZANUTTO CARVALHO
        
Antes da leitura:
- Trabalhar o autor do texto;
- Conceito de crônica, apresentação de uma crônica mais simples;
- Entrega de uma parte do texto “Pausa” de Moacyr Scliar;
- Os alunos terão que terminar a história, em duplas ou em grupos pequenos;
- Socialização das produções;
- O professor recolherá as produções, corrigirá e fará a devolutiva.

Durante a leitura:
- Apresentar o texto original;
- Fazer a leitura compartilhada;
- Questionar sobre as palavras desconhecidas;
- Comentar sobre as variações linguísticas presentes.

Depois da leitura:
- Promover um debate questionando as impressões que o texto causou nos alunos, o que acharam sobre o final, e se preferem a versão original ou a criada por eles.

Sugestão de filme: Sexy and the city. 

segunda-feira, 17 de junho de 2013



Reflexão

Acho essa música excelente para se trabalhar com os alunos:

O Caderno

Toquinho


Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco
Até o be-a-bá.
Em todos os desenhos
Coloridos vou estar
A casa, a montanha
Duas nuvens no céu
E um sol a sorrir no papel...

Sou eu que vou ser seu colega
Seus problemas ajudar a resolver
Te acompanhar nas provas
Bimestrais, você vai ver
Serei, de você, confidente fiel
Se seu pranto molhar meu papel...


Sou eu que vou ser seu amigo
Vou lhe dar abrigo
Se você quiser
Quando surgirem
Seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá
Num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel...


O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado
Se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
O que se há de fazer...


Só peço, à você
Um favor, se puder
Não me esqueça
Num canto qualquer...(2x)


domingo, 9 de junho de 2013

 

Apenas uma reflexão...

 
CONVITE - Gilberto Mendonça Teles

Vem comigo para dentro 
da palavra multidão:
de mãos dadas somos vento,
somos chuva de trovão.

Se uma andorinha sozinha
não pode fazer verão, 
vem comigo mais ainda 
para dentro da expressão.

Cada letra tem seu ninho 
de palavras no porão:
vem tirá-las de seu limbo, 
vem fazer tua oração.

Dentro de cada palavra,
no seu timbre e elocução, 
saberás de peixe, cabra, 
de liberdade e quinhão.

E até na palavra nova, 
bliro, ilhaval e zirlão 
alguma coisa se dobra, 
tem sentido a sedução.

Pega portanto uma letra, 
pega a palavra invenção
e transforma em borboleta 
um risco arisco no chão.


É no centro da linguagem,
no seu silêncio e pressão, 
que se dedilha uma casa, 
que se desenha a canção.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Leitura e Escrita



Algumas experiências e depoimentos sobre a leitura e a escrita.




Professora Priscila

Leitura e escrita é um tema realmente maravilhoso, há tantas experiências, tantas situações que envolvem leitura e escrita. Nos dias de hoje a leitura e escrita estão sendo vistas como escassas, mas a verdade é que não é bem por aí, a nossa cultura está sim deixando para trás o hábito de ler e escrever, “ler livros” e “escrever à mão”, mas a verdade é que a prática da leitura e escrita está mais atual do que nunca, talvez não se leia tanto livros, mas lê-se e muito na internet, não se escreve cartas à mão, mas digita-se muito. É claro que o fato de ser tudo digitalizado prejudica-nos muito, afinal o próprio computador nos corrige e isso é ruim sim, pois isso se torna cômodo para todos. Acredito que é muito importante incentivar a leitura e a escrita, as pessoas precisam descobrir o quanto é bom deixar o computador um pouco de lado e começar a ler e até mesmo escrever, uma coisa leva à outra, quem lê mais, escreve melhor, isso é fato. Mas o material a ser lido deve ser selecionado, não ler qualquer coisa por aí. Como diz Marilena Chauí "O livro é um mundo porque cria mundos ou porque deseja subverter este nosso mundo", quando lemos criamos mundos e cada pessoa cria o seu mundo, é maravilhoso. No depoimento de Fábio de Paula Xavier Marchioro, ele fala sobre um menino de 15 anos que diz que a leitura não acrescenta em nada, isso é lamentável, infelizmente as pessoas confundem não gostar de ler, com não conhecer o gosto pela leitura e é essa realidade que temos que mudar. Rubem Alves diz “Leiam! Comam! Bebam! Isso é a minha carne. Isso é o meu sangue!”. E é isso mesmo o autor deixa sua vida em nossas mãos e somos nós que temos que desfrutar. Viver quem sabe a vida de outra pessoa. Ler e escrever é divino, particularmente me empolgo quando escrevo!

Depoimento Pessoal: Uma das minhas melhores experiências com leitura foi quando li “Estação Carandiru”, o livro era relativamente extenso, mas li o mesmo em 3 dias, detalhe, eu tinha uns 14 anos, mas o livro me chamou muita atenção, talvez não era muito apropriado para minha idade, mas fez com que meu gosto por leitura só aumentasse, uma outra vez li “Os normais”, minha mãe entrou no meu quarto para ver o que estava acontecendo, pois eu estava morrendo de rir, entre outras tantas experiências, como vezes que eu estava lendo no ônibus e tive que parar para não chorar na frente de todo mundo, vezes que eu queria que o livro não tivesse acabado, vezes que eu fechei o livro de tanta raiva da personagem, enfim, a leitura mexe demais conosco e isso é fantástico. E todas essas experiências fizeram com que meu gosto pela leitura fosse apurando e começasse a ler leituras mais clássicas, Best Sellers, etc., hoje leio e escrevo com mais facilidade. Sempre relato esses tipos de experiências para meus alunos, para despertar neles o interesse pela leitura.

Professora Regina

Para trabalhar a leitura e a escrita em sala de aula, conto com os gêneros textuais, sempre procuro iniciar com uma leitura. Isso ajuda na motivação e também na antecipação daquilo que o aluno já sabe sobre os textos.
Explorar o título do gênero é uma boa atividade antes da leitura na integra. Nesse momento podemos perceber a criatividade e a imaginação dos alunos. Ler com eles e para eles textos sobre um mesmo conteúdo temático, mas de gêneros diferentes ajuda muito na sistematização de um gênero escolhido para trabalhar em sala.
Chegado o momento da escrita. Nessa fase é muito importante que o aluno conheça a proposta dada, as condições de produção. O que vai escrever, como se deve escrever, quem vai ler, como será avaliado, por que é importante tal gênero, em que momento de sua vida isso poderá trazer alguma contribuição.
Feita as observações anteriores, pode-se iniciar a primeira escrita. Aquela em que causa tantas dúvidas, mas que motiva o conhecimento, a criatividade e abre portas para a sistematização de conteúdo temático, e estilo de escrita.
Terminada essa etapa, é interessante que todos possam ler para os colegas suas produções, trocá-las entre si, receber e dar sugestões sobre os textos.
Próxima etapa é a vez de o professor tomar contato com a escrita do aluno e fazer um quadro com os erros mais comuns nos textos, levantar possibilidades de escritas alcançadas pelos alunos e sugestões para uma reescrita.
Ao devolver as produções para os alunos pode-se pedir que sentem com algum colega e redija seu texto novamente observando as anotações feitas no quadro de análise coletiva.
Após essa etapa podemos fazer a divulgação dos textos. Usar um mural, reunir as produções e confeccionar um livro, enviar por e-mail aos colegas de outra turma, publicar em um blog...
Essas são algumas das possibilidades para se alcançar bons resultados com atividades de leitura e produção.

Depoimento Pessoal: Sempre gostei muito de ler, agora quanto a escrever, quando criança no Ensino Fundamental I tinha horrores da aula de redação, pois os meus textos vinham com muitas marcas vermelhas e eu mal podia ver o lápis com a minha grafia embaixo das marcações da professora. Então percebi, que tinha que melhorar, e melhorar muito!
Foi então que comecei a carregar um dicionário na mochila e ele se tornou meu amigo inseparável nas aulas de redação, porque como dizia a professora as minhas ideias eram boas, mas a ortografia...
Depois de alguns meses as minhas notas de produção começaram a melhorar, contudo não foi só com a ajuda do dicionário, eu percebi que precisava fazer uma leitura mais atenta e passei a observar melhor as palavras nos meus momentos de leitura. Com isso no ano seguinte pude dar uma folga para o meu amigo dicionário e passei a produzir bons textos “sozinha”. E a partir dai peguei gosto pela escrita também, adotei um diário, que me acompanhou durante a infância e grande parte da adolescência.
No ensino fundamental II e Médio, me destacava por meus textos e tudo isso acabou me levando a cursar Letras. E hoje tenho o prazer de estar aqui com vocês compartilhando mais essa experiência!!!


Professora Rosana

Ler não é um ato mecânico de decodificar palavras, mas um processo de descobrir e descobrir-se. E nesse processo a leitura e a escrita não podem ser separadas, pois uma precede à outra.
Eu procuro mostrar aos alunos que um texto pode ser trabalhado de diversas maneiras e com funções diversificadas, dando a eles  a oportunidade de questionar  as intenções do autor, levantar hipóteses, se posicionarem contra ou a favor do tema. Segundo Paulo Freire :"Ler não é só caminhar sobre as palavras e também não é voar sobre as palavras. Ler é reescrever o que estamos lendo". Por isso é imprescindível que a cada texto lido se proponha uma releitura, se ofereça ao aluno a possibilidade de descobrir caminhos à aprendizagem significativa, como por exemplo trabalhar com a construção de currículo, carta de solicitação de emprego nas  8ªs séries. O importante na minha opinião é fazer com que o aluno entenda que nenhum texto é neutro e que o texto dele deve ter um objetivo claro : Pra quê
e pra quem está sendo escrito. Assim, nós, professores formaremos leitores pra toda vida.

Depoimento Pessoal: Eu sou a única filha de quatro irmãos que concluiu dois cursos superiores. Então me lembro que os meus  pais se orgulhavam muito de mim. Éramos pobres, mas eles nunca pouparam esforços para me manter na escola. Quantas vezes eu precisei vender meus livros da série anterior para comprar outros. Um fato é certo: sempre gostei mais de escrever do que de ler. Ganhei alguns concursos de redação. Na 8ª série escrevi um texto muito bonito sobre o tempo. Ele começava assim: "Ah, se o tempo trazesse você pra mim..."(lembro que a  professora escreveu bem grande, em vermelho: TROUXESSE),nossa, fiquei com meu rosto vermelho, morrendo de vergonha. Mas isso não diminuiu a beleza dele, a Dona Jamile até leu a minha redação em outras salas, isso foi em 1987.Os alunos não sabiam de quem era aquele texto, ela falou que era da Rosana, ninguém conhecia, então alguém disse que era da "dentuça", da "Mônica" da outra sala. Naquela época aquilo me marcou bastante, eu sofria bullying e refletindo melhor, hoje eu vejo que através da escrita eu pude expressar minhas tristezas, meus complexos, minhas paixões, a escrita  foi meu refúgio, meu lugar secreto, até que um dia minha mãe encontrou meu diário, jogou fora e ainda me falou um sermão inteiro: "porque você é ingrata com Deus...fica falando que sua vida não tem sentido...e blablablá....blablablá. É claro que continuei escrevendo, todavia eu era mais cuidadosa.
Houve um momento muito especial, um livro: As aventuras de Oliver Twist-Charles Dickens. Eu já era professora, comecei a ler esse livro e na minha mente, o Oliver era um aluninho que eu tinha na 5ª série, o Mário. Vocês devem conhecer a história, o menino e´ orfão, foge do asilo e é adotado por uma gangue para cometer delitos. Há uma parte em que os ladrões querem assaltar uma casa e fazem Oliver entrar por uma janela, ele era bem franzino. Ficam esperando lá fora. Então o dono acorda com o barulho, pega uma espingarda, o garoto tem dificuldades de sair da casa e os criminosos fogem, abandonando-o lá...Nesse trecho eu fechei o livro e comecei a chorar, com medo do que tinha acontecido, eu não tinha coragem de continuar lendo. Eu estava vivendo a história...Depois ficou tudo bem e o final foi feliz. Feliz pra quem? Pro Oliver ou pro Mário?
Atualmente escrevo com  menos frequência, mas o papel continua sendo meu cúmplice, meu amigo fiel, que nunca vai usar o que eu disse contra mim. É a minha maneira de orar...
Acredito que lemos e escrevemos conforme a fase da vida pela qual estamos passando. Eu já "devorei "vários livros de aujto ajuda. Mas autoajuda pra quem? Certamente para o autor!
Tem um poema de Rubem Alves: O tempo e as jabuticabas, o qual fala muito comigo. "Contei meus anos e descobri que terei menos tempo pra viver daqui pra frente do que já vivi até agora(...)Já não tenho tempo pra lidar com mediocridades(...)Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes nunca será perda de tempo(...)O essencial faz a vida valer a pena."