Algumas experiências e depoimentos sobre a leitura e a escrita.
Professora
Priscila
Leitura e escrita é um tema realmente maravilhoso, há tantas experiências,
tantas situações que envolvem leitura e escrita. Nos dias de hoje a leitura e
escrita estão sendo vistas como escassas, mas a verdade é que não é bem por aí,
a nossa cultura está sim deixando para trás o hábito de ler e escrever, “ler
livros” e “escrever à mão”, mas a verdade é que a prática da leitura e escrita
está mais atual do que nunca, talvez não se leia tanto livros, mas lê-se e
muito na internet, não se escreve cartas à mão, mas digita-se muito. É claro
que o fato de ser tudo digitalizado prejudica-nos muito, afinal o próprio
computador nos corrige e isso é ruim sim, pois isso se torna cômodo para todos.
Acredito que é muito importante incentivar a leitura e a escrita, as pessoas
precisam descobrir o quanto é bom deixar o computador um pouco de lado e
começar a ler e até mesmo escrever, uma coisa leva à outra, quem lê mais,
escreve melhor, isso é fato. Mas o material a ser lido deve ser selecionado,
não ler qualquer coisa por aí. Como diz Marilena Chauí "O livro é um mundo
porque cria mundos ou porque deseja subverter este nosso mundo", quando
lemos criamos mundos e cada pessoa cria o seu mundo, é maravilhoso. No
depoimento de Fábio de Paula Xavier Marchioro, ele fala sobre um menino de 15
anos que diz que a leitura não acrescenta em nada, isso é lamentável,
infelizmente as pessoas confundem não gostar de ler, com não conhecer o gosto
pela leitura e é essa realidade que temos que mudar. Rubem Alves diz “Leiam!
Comam! Bebam! Isso é a minha carne. Isso é o meu sangue!”. E é isso mesmo o
autor deixa sua vida em nossas mãos e somos nós que temos que desfrutar. Viver
quem sabe a vida de outra pessoa. Ler e escrever é divino, particularmente me
empolgo quando escrevo!
Depoimento
Pessoal: Uma das minhas melhores experiências
com leitura foi quando li “Estação Carandiru”, o livro era relativamente
extenso, mas li o mesmo em 3 dias, detalhe, eu tinha uns 14 anos, mas o livro
me chamou muita atenção, talvez não era muito apropriado para minha idade, mas
fez com que meu gosto por leitura só aumentasse, uma outra vez li “Os normais”,
minha mãe entrou no meu quarto para ver o que estava acontecendo, pois eu
estava morrendo de rir, entre outras tantas experiências, como vezes que eu
estava lendo no ônibus e tive que parar para não chorar na frente de todo
mundo, vezes que eu queria que o livro não tivesse acabado, vezes que eu fechei
o livro de tanta raiva da personagem, enfim, a leitura mexe demais conosco e
isso é fantástico. E todas essas experiências fizeram com que meu gosto pela
leitura fosse apurando e começasse a ler leituras mais clássicas, Best Sellers,
etc., hoje leio e escrevo com mais facilidade. Sempre relato esses tipos de
experiências para meus alunos, para despertar neles o interesse pela leitura.
Professora
Regina
Para trabalhar a leitura e a escrita em sala de aula, conto com os gêneros
textuais, sempre procuro iniciar com uma leitura. Isso ajuda na motivação e
também na antecipação daquilo que o aluno já sabe sobre os textos.
Explorar o título do gênero é uma boa atividade antes da leitura na integra.
Nesse momento podemos perceber a criatividade e a imaginação dos alunos. Ler
com eles e para eles textos sobre um mesmo conteúdo temático, mas de gêneros
diferentes ajuda muito na sistematização de um gênero escolhido para trabalhar em
sala.
Chegado o momento da escrita. Nessa fase é muito importante que o aluno conheça
a proposta dada, as condições de produção. O que vai escrever, como se deve
escrever, quem vai ler, como será avaliado, por que é importante tal gênero, em
que momento de sua vida isso poderá trazer alguma contribuição.
Feita as observações anteriores, pode-se iniciar a primeira escrita. Aquela em
que causa tantas dúvidas, mas que motiva o conhecimento, a criatividade e abre
portas para a sistematização de conteúdo temático, e estilo de escrita.
Terminada essa etapa, é interessante que todos possam ler para os colegas suas
produções, trocá-las entre si, receber e dar sugestões sobre os textos.
Próxima etapa é a vez de o professor tomar contato com a escrita do aluno e
fazer um quadro com os erros mais comuns nos textos, levantar possibilidades de
escritas alcançadas pelos alunos e sugestões para uma reescrita.
Ao devolver as produções para os alunos pode-se pedir que sentem com algum
colega e redija seu texto novamente observando as anotações feitas no quadro de
análise coletiva.
Após essa etapa podemos fazer a divulgação dos textos. Usar um mural, reunir as
produções e confeccionar um livro, enviar por e-mail aos colegas de outra
turma, publicar em um blog...
Essas são algumas das possibilidades para se alcançar bons resultados com
atividades de leitura e produção.
Depoimento
Pessoal: Sempre gostei muito de ler, agora quanto a escrever, quando
criança no Ensino Fundamental I tinha horrores da aula de redação, pois os meus
textos vinham com muitas marcas vermelhas e eu mal podia ver o lápis com a
minha grafia embaixo das marcações da professora. Então percebi, que tinha que
melhorar, e melhorar muito!
Foi então que comecei a carregar um dicionário na mochila e ele se tornou
meu amigo inseparável nas aulas de redação, porque como dizia a professora as
minhas ideias eram boas, mas a ortografia...
Depois de alguns meses as minhas notas de produção começaram a melhorar,
contudo não foi só com a ajuda do dicionário, eu percebi que precisava fazer
uma leitura mais atenta e passei a observar melhor as palavras nos meus
momentos de leitura. Com isso no ano seguinte pude dar uma folga para o meu
amigo dicionário e passei a produzir bons textos “sozinha”. E a partir dai
peguei gosto pela escrita também, adotei um diário, que me acompanhou durante a
infância e grande parte da adolescência.
No ensino fundamental II e Médio, me destacava por meus textos e tudo isso
acabou me levando a cursar Letras. E hoje tenho o prazer de estar aqui com
vocês compartilhando mais essa experiência!!!
Professora
Rosana
Ler não é um ato mecânico de decodificar palavras, mas um processo de
descobrir e descobrir-se. E nesse processo a leitura e a escrita não podem ser
separadas, pois uma precede à outra.
Eu procuro mostrar aos alunos que um texto pode ser trabalhado de diversas
maneiras e com funções diversificadas, dando a eles a oportunidade de
questionar as intenções do autor, levantar hipóteses, se posicionarem
contra ou a favor do tema. Segundo Paulo Freire :"Ler não é só caminhar
sobre as palavras e também não é voar sobre as palavras. Ler é reescrever o que
estamos lendo". Por isso é imprescindível que a cada texto lido se
proponha uma releitura, se ofereça ao aluno a possibilidade de descobrir
caminhos à aprendizagem significativa, como por exemplo trabalhar com a
construção de currículo, carta de solicitação de emprego nas 8ªs séries.
O importante na minha opinião é fazer com que o aluno entenda que nenhum texto
é neutro e que o texto dele deve ter um objetivo claro : Pra quê
e pra quem está sendo escrito. Assim, nós, professores formaremos leitores
pra toda vida.
Depoimento
Pessoal: Eu sou a única filha de quatro irmãos que concluiu dois cursos
superiores. Então me lembro que os meus pais se orgulhavam muito de mim.
Éramos pobres, mas eles nunca pouparam esforços para me manter na escola.
Quantas vezes eu precisei vender meus livros da série anterior para comprar
outros. Um fato é certo: sempre gostei mais de escrever do que de ler. Ganhei
alguns concursos de redação. Na 8ª série escrevi um texto muito bonito sobre o
tempo. Ele começava assim: "Ah, se o tempo trazesse você pra
mim..."(lembro que a professora escreveu bem grande, em vermelho:
TROUXESSE),nossa, fiquei com meu rosto vermelho, morrendo de vergonha. Mas isso
não diminuiu a beleza dele, a Dona Jamile até leu a minha redação em outras
salas, isso foi em 1987.Os alunos não sabiam de quem era aquele texto, ela
falou que era da Rosana, ninguém conhecia, então alguém disse que era da
"dentuça", da "Mônica" da outra sala. Naquela época aquilo
me marcou bastante, eu sofria bullying e refletindo melhor, hoje eu vejo que
através da escrita eu pude expressar minhas tristezas, meus complexos, minhas
paixões, a escrita foi meu refúgio, meu lugar secreto, até que um dia
minha mãe encontrou meu diário, jogou fora e ainda me falou um sermão inteiro:
"porque você é ingrata com Deus...fica falando que sua vida não tem
sentido...e blablablá....blablablá. É claro que continuei escrevendo, todavia
eu era mais cuidadosa.
Houve um momento muito especial, um livro: As aventuras de Oliver
Twist-Charles Dickens. Eu já era professora, comecei a ler esse livro e na
minha mente, o Oliver era um aluninho que eu tinha na 5ª série, o Mário. Vocês
devem conhecer a história, o menino e´ orfão, foge do asilo e é adotado por uma
gangue para cometer delitos. Há uma parte em que os ladrões querem assaltar uma
casa e fazem Oliver entrar por uma janela, ele era bem franzino. Ficam
esperando lá fora. Então o dono acorda com o barulho, pega uma espingarda, o
garoto tem dificuldades de sair da casa e os criminosos fogem, abandonando-o
lá...Nesse trecho eu fechei o livro e comecei a chorar, com medo do que tinha
acontecido, eu não tinha coragem de continuar lendo. Eu estava vivendo a
história...Depois ficou tudo bem e o final foi feliz. Feliz pra quem? Pro
Oliver ou pro Mário?
Atualmente escrevo com menos frequência, mas o papel continua sendo
meu cúmplice, meu amigo fiel, que nunca vai usar o que eu disse contra mim. É a
minha maneira de orar...
Acredito que lemos e escrevemos conforme a fase da vida pela qual estamos
passando. Eu já "devorei "vários livros de aujto ajuda. Mas autoajuda
pra quem? Certamente para o autor!
Tem um poema de Rubem Alves: O tempo e as jabuticabas, o qual fala muito
comigo. "Contei meus anos e descobri que terei menos tempo pra viver daqui
pra frente do que já vivi até agora(...)Já não tenho tempo pra lidar com
mediocridades(...)Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar
desse amor absolutamente sem fraudes nunca será perda de tempo(...)O essencial
faz a vida valer a pena."